Aproxima-se a passos largos a
primeira edição do Campeonato Nacional de Orientação de Precisão.
O Orientovar esteve ontem na Tocha, acompanhou os trabalhos de
planificação e supervisão e gostou muito do que viu. Sobretudo,
apreciou o rigor e empenho de Nuno Pires, um traçador que se afirma
em pleno nesta desafiante disciplina, e também o terreno de prova e
os desafios propostos. Orientação de Precisão de alto nível em
perspetiva, numa antevisão de Nuno Pires.
Como foi abraçar o desafio de
traçar o percurso de Orientação de Precisão dos Campeonatos
Nacionais do próximo sábado?
N. L. - Quando o convite me
foi endereçado pelo Nuno Leite em Fevereiro, após o POM, confesso
que fiquei reticente e pensei se estaria à altura de o fazer.
Estamos a falar do Campeonato Nacional de Orientação de Precisão,
que na Pedestre equivale ao Absoluto. É uma responsabilidade muito
grande que me foi colocada nos ombros. Em Idanha-a-Nova, a prova
tinha tido um nível de planificação elevado, de Elite, e a minha
prestação não estava nesse patamar como participante. No entanto,
aceitei com a convicção que teria tempo para conhecer ao pormenor
as linhas mestras de planificação de percursos de Elite e criar um
que faça jus à importância da prova.
Já que não posso ser o primeiro
Campeão Nacional, estabeleci o objetivo de preparar um percurso que,
de alguma forma, possa ser o mais desafiante possível para os
atletas que invejarei dentro de dias, e que todos se divirtam acima
de tudo. Sei que ao tentar elevar a fasquia de dificuldade no
planeamento, corro o risco de criar alguns pontos que possam gerar
alguma discussão , mas tenho confiança que controlei bem esse
fator, e no final serão mais aqueles que estarão frustrados consigo
próprios do que comigo.
Que Nacionais vão ser estes?
N. L. - Acima de tudo, estes
Nacionais pretendem ser inovadores no que toca ao tipo de terreno, já
que vai ser usado maioritariamente uma área de pinhal, onde os
pontos serão colocados em elementos distintos dos habitualmente
encontrados nos parques ou em zonas rochosas. Mas tenho a certeza que
alguns vão ser verdadeiras surpresas para os participantes, pela
variedade de problemas com que serão brindados. A leitura do mapa e
terreno vai ter uma importância vital nas tomadas de decisão.
Haverá diversidade nas técnicas que permitem determinar com
exatidão o posicionamento das balizas no terreno, mas nem sempre
essas leituras serão óbvias. Cada ponto foi planificado com
bastante rigor, e quase posso contar uma pequena história com o
raciocínio que efetuei para cada um deles. Tentei minimizar as
escolhas por instinto e que tudo o que foi idealizado tenha um
propósito no ato da tomada de decisão.
A escala utilizada será de 1:4.000.
A prova vai ser um pouco longa, com cerca de 1500 metros, com boa
progressão mesmo para as cadeiras de rodas. Terá 16 pontos
convencionais e 2 pontos cronometrados, logo no início. Em
princípio, o tempo máximo de prova rondará os 100 minutos, e é a
única variável em aberto neste momento, tendo em conta que haverá
muitos pontos onde será necessário gastar algum tempo para tomar a
decisão acertada. Na minha opinião, os primeiros Campeões
Nacionais serão os que consigam manter a concentração alta mesmo
entre pontos de decisão, porque as balizas estão no terreno desde o
minuto 0, e que sejam os mais metódicos e convictos nas zonas de
decisão. Nestes Campeonatos, quem levar a palma será seguramente
por mérito, e sinceramente, não creio que ninguém consiga acertar
todos os pontos. Vai haver muita pressão.
Até ao momento, o número de
inscritos está claramente abaixo das expectativas. Que mensagem
deixa àqueles que, por desconhecimento ou indecisão, ainda não
juntaram o seu nome na lista de participantes?
N. L. - Sinceramente esperava
mais inscrições, mas a Orientação de Precisão ainda é vista com
alguma desconfiança, principalmente por alguns atletas da Pedestre,
que poderão engrossar a lista de participantes. Na prova de Gouveia
partilhei transporte com 4 atletas de Elite que não entendiam o
fascínio que tenho por esta variante da modalidade e que lhes
parecia óbvia demais. Era só olhar para o mapa e já estava a
decisão tomada. Isso é a correr… Expliquei-lhes que não era
assim tão fácil e que a única forma de tomar contato era
efetivamente fazer uma prova de Orientação de Precisão. Vocês
sabem quem são.
Gostava sinceramente de ver os
nossos melhores Elites na Tocha, já que ao contrário do que vem
sendo habitual, não sobrecarregámos o programa dos Campeonatos de
Distância Média e Estafetas com um Sprint, e assim deixámos o
Sábado à tarde livre para ter mais participantes na Praia da Tocha.
Vamos estender o prazo de inscrições até quarta-feira, dia 22,
para ver se este meu convite tem eco nos meus colegas da Pedestre.
Após esta experiência, o que
retira em termos pessoais?
N. L. - Pessoalmente, esta
aventura serviu para melhorar substancialmente a minha compreensão
da Orientação de Precisão a um nível mais avançado, porque tomei
conhecimento das diversas técnicas de desenho de pontos seguindo
orientações de Elite, no que respeita à função de traçador de
percursos. Os conhecimentos que apreendi deixam-me agora alerta para
provas futuras como participante, porque já estarei preparado a
procurar um conjunto de opções que poderão ter dado origem à
planificação dos pontos com que seja confrontado, e me permita
analisar e tomar as minhas decisões com objetividade e sair de lá
sem a sensação plena de ter tomado a decisão correta.
Como prova deste processo de
melhoria, posso dizer que já no passado Campeonato Ibérico de
Ori-Precisão, disputado no Vale do Rossim, senti uma confiança
muito maior, resultante de estar a conseguir interiorizar os desafios
que cada ponto apresentava e assim reduzir os momentos de indecisão.
Saiba tudo sobre os Nacionais em
http://ori-estarreja.pt/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=74&Itemid=187.
Saudações orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO





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